As minhas raízes que brotam das pedras que me viram crescer
Sábado, 10 de Junho de 2006
DE DIA

 

O Natal já prometeu

vir de dia, sem barbas nem arminho;

vir de dia com o Menino,

da Virgem semente que se deu

às entranhas da terra com sol

como em quente ninho!

 

Natal?

É Mistério que o céu fez

a beijar o perfume de uma flor

que se abriu em vida por Amor

na minha Mãe - minha Rosa

num jardim natural em parto e dor,

mas no dia que o céu fez!

 

O Natal, ...

Vai vir de dia, todo em sol,

que da luz nasce a verdade,

que o calor choca o ovo e tira dele

esse Amor de Deus feito Menino.

 

O Natal, ...

De dia, Senhores! Hoje mesmo!

Ou quando for a ocasião!

 

O Natal?

Bem de dia, Senhores!

Há herodes que secam as crianças!

Há mãos sujas no zebre dos milhões!

Há semáforos vermelhos sem sinal!

Há cabelos de ouro que não fazem tranças

porque a noite esconde as decisões!

-     As crianças? Porquê, grande Senhor?

      Não te fazem rei bolo no Natal?

-     Africano Jesus, por que não comes?

-     E as crianças da lata marginal,

mesmo ao lado do golf, do casino,

da vivenda do Banco Portugal?

-     E os meninos maiores condenados

à seringa nas veias do Natal?

-     E as crianças já mães em corpo enxutas?

Brinde ou fava? ... engelhas na verdura

que o varrasco do viço abocanhou,

e que, ... por aí, ... à vista de todos,

ou talvez não,

vão vivendo o Natal de prostitutas!

-     E as crianças, Senhor, da construção?

Empregaram-nas sem contrato

para lerem cartilhas de outra escola:

o trabalho a dar-se por esmola

na migalha da mão aporcalhada.

 

-     Deus Menino, Mistério de Belém,

se os vendilhões andam por aí, ...

se já entram no templo por escárnio, ...

o chicote em cima deles

sem dó nem compaixão

em defesa do Natal!

 

                                      Noite de Natal,  2002



publicado por alecrimdaserra às 00:44
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